domingo, 31 de julho de 2011

Artha - A conquista da matéria para a Cultura Rishi e o Hinduismo

            O homem evolui espiritualmente através da matéria (Prakriti). Para o Vidya Yoga o homem obrigatoriamente deve passar pelas quatro propostas de evolução antes de atingir a iluminação, denominadas Purushartas, que são: Dharma, o dever; Artha, a conquista das posses, dos bens materiais; Kama, a conquista das emoções e; Moksha, a libertação do homem (GAMA, 2011).
            Artha significa a conquista da matéria. O significado literário da palavra refere-se à “coisa”, “objeto”, “substância”. Artha é a conquista da matéria não apenas no sentido maciço de adquirir bens materiais, mas sim no sentido de usar a matéria como instrumento da evolução espiritual. Utilizamos as posses sem sê-las. Desta forma, valorizamos o trabalho e compreendemos os ganhos e perdas que são inerentes à vida.
            O bem-estar é uma necessidade básica da vida e o hinduísmo reconhece a importância da riqueza material para a felicidade e o bem-estar de um indivíduo. A matéria é necessária para que se possa executar seu Dharma, pois é ela quem da às ferramentas para executá-lo e assim, cuidar da família e estar atuante na sociedade. E esta deve ser a razão pela busca da matéria, não por amor a ela e sim por amor ao seu dever (Dharma). Valores estes ensinados pela Ordem Filosófica Vidya Yoga.
            Apegar-se a riqueza é o obstáculo que o homem gera para si. Tanto com bens materiais ou sem eles o homem deve estar norteado a sua principal busca que é a sua libertação, pois somente esta busca justa o leva a Moksha, a última fase da vida.
            Dinheiro e riqueza são formas de energia divina, pois o Absoluto É em abundância, e estamos aqui para gerir de maneira consciente estas riquezas e utilizar-se delas para nosso desenvolvimento espiritual. O homem hoje se utiliza dela apenas para satisfazer seus desejos, indo contra a verdadeira função da riqueza material que é ajudar a sua evolução espiritual.
            O grande erro humano é a ganância e ambição material. Uma vez que se tem se quer mais. E muitos que hoje estão ricos, chegaram ao dinheiro através da corrupção e falta de ética e terão Karma para serem compensados. Muitas pessoas entendem o dinheiro como algo sujo e que a pobreza é algo santo. Se estudarmos os mestres desde o passado, veremos que muitos optaram por ter em abundância, porém sem se identificar com seus bens. Para abdicar-se da matéria é necessário vivenciá-la, e usufruir-la de forma consciente, sendo esta a conquista da matéria, Artha. Deve-se ter reta intenção, corretos objetivos, moderar e atingir o equilíbrio na busca de riquezas. O objetivo de riqueza é uma virtude, mas a ganância por ela é uma prisão.
            Para OSHO (2005), ser contra o dinheiro é algo estúpido, ele o considera um meio muito belo, um meio de intercâmbio, pois para o autor, sem ele não pode haver uma cultura evoluída, sociedade ou civilização. O dinheiro nos tem prestado muita ajuda, portanto é preciso apreciá-lo. O autor deixa bem claro ser a favor do dinheiro e sim, contra, a propensão ao dinheiro.
            O dinheiro para o Vidya Yoga é um meio de se criar prosperidade, pois sem prosperidade toda a busca humana desaparecerá. Sem ele a vida se estagnará, pois o dinheiro é uma forma de comunicação, assim como OSHO (2005) diz, é uma forma de intercâmbio, uma maneira de se expressar e também de se tornar livre.
            Uma pessoa propensa ao dinheiro rompe a finalidade verdadeira que este tem, pois quer tê-lo e não o deixar correr e valorizá-lo na sociedade. Por isso podemos dizer que o dinheiro é moeda corrente, pois deve funcionar como corrente, interligando as relações. Quanto mais se move melhor, mais rica fica a sociedade. Se um real passar pela mão de cinco mil pessoas, este um real tornou-se cinco mil reais. Quanto mais o dinheiro se move, mais dele é criado (OSHO, 2005).
            Swami Vivekananda diz que a espiritualidade não é para estômagos vazios. Quando uma pessoa esta cheia de problemas de sobrevivência ela dificilmente encontrará um consolo na busca espiritual. Para ele palavras suaves não confortariam tanto quanto um pouco de alimento ao faminto (HINDUWEBSITE).
            O problema que enfrentamos hoje não é ter a matéria, nosso grande desafio é saber utilizar-la de forma correta, com ética, reverência e entender que nenhum bem material que está sendo utilizado pelo indivíduo é dele e é sim uma ferramenta para cumprir seu Dharma e evoluir espiritualmente, rumo à libertação (Moksha).
            Os hindus pregam a simplicidade, a austeridade e a riqueza, não glorificam a pobreza. A riqueza não é um obstáculo a auto-realização, pelo contrário é um impulso para chegar a ela. O apego as riquezas que é o obstáculo (Vikshepa) e este é uma chance para sua auto-realização, pois os obstáculos são oportunidades para evoluir.
            “O apego material (Rágaprakriti) pode ser considerado o apego a família, aos bens materiais e as paixões da vida mundana. Sendo estes os maiores obstáculos ao desenvolvimento, ao aperfeiçoamento e à auto-superação do homem (VYAGHRA YOGI, 2004).”
            As ciências relacionadas à Artha são a economia e a política, que deveriam servir na luta pela vida contra a inveja e a competição, a calúnia e a chantagem, a ameaçadora tirania e a violência (ZIMMER, 2003). O que vivenciamos hoje é que estas ciências foram corrompidas, ocorre o inverso do real objetivo destas ciências   Poucos são os profissionais que com elas trabalham que realmente executam seu Dharma. Desta maneira tendo um Dharma a ser cumprido e nele se corrompendo Karmas deverão ser compensados.
            A corrupção que existe no mundo hoje é decorrente do apego a matéria e as emoções mundanas. Este apego é vivenciado em todas as esferas da sociedade e vem sendo alimentada há séculos. Hoje se busca ter bens materiais sem refletir o porquê da matéria, simplesmente tê-la por obsessão e por entende-la como sinônimo de poder.
            Para a Filosofia Vidya Yoga é necessário ao homem poder desfrutar do amor, das belas obras de artes, das flores, das jóias, das boas roupas, de uma moradia confortável e dos prazeres da mesa com intenção de vivenciar o mundo, para então, se quiser, por escolha, abdicar dos bens materiais e se entregar exclusivamente a vida espiritual. A matéria está aqui para nos auxiliar. Seguir no mundo sem apegar-se a ela é a meta. Usufruir o que ela pode nos oferecer e através dela evoluir.
            É essencial ao ser humano desfrutar dela, a matéria. Nosso planeta é de extrema riqueza, os 108 elementos químicos que aqui existem, em suas combinações geram a gama de matéria mais rica deste sistema solar. O ser humano, sendo o de maior consciência, tem o dever de cuidar desta matéria, utilizá-la para sua evolução e desapegar-se dela, entendo que a matéria utilizada faz parte do ciclo de vida do individuo e que daqui levamos apenas o conhecimento conquistado através de nossas vivencias, em que a matéria nos auxiliou a conquistá-lo. 

Sustentabilidade ambiental e a espiritualidade

A sustentabilidade ambiental esta diretamente ligada à espiritualidade, esta envolve a questão ambiental que se sustenta em três pilares, a economia, a sociedade e o meio ambiente. É fato que no mundo acadêmico é desconsiderado a importância da espiritualidade na sustentabilidade, porém ela é o todo, e qualquer conceito ou tecnologia empregada sem considerá-la não esta completa.